Artigo publicado no jornal O Povo
02/09/2010
Quando se fala em economia estamos sempre convidados a refletir sobre o “ter”. Ter mais, ganhar mais... Trata-se de enfrentar a injustiça estrutural que divide o mundo em grupos humanos, que por um lado vivem na abundância desnecessária e, em outro, uma multidão (mas de 65%), que vivem abaixo da linha de pobreza.
Os resultados econômicos são significativos e existem experiências bem sucedidas que nos mostram que outros caminhos são possíveis. Isso gera tentativas para reverter esta situação, inventando novos caminhos criativos e eficazes, como a economia solidária que se esforça para criar novos empregos e renda nas classes desfavorecidas.
Mas a nossa pergunta é: será que esta mudança é suficiente para garantir uma melhor qualidade de vida do ser humano?
Na nossa experiência de 14 anos a serviço do povo na periferia de Fortaleza, que gerou uma nova abordagem sistêmica comunitária, entendemos que as verdadeiras mudanças acontecem também num nível mais profundo. O nível do ser.
Podemos oferecer novas oportunidades, criar novas vagas de trabalho, rendas melhores, mas se não trabalharmos a pobreza internalizada (que o nosso ser grava em forma de baixa autoestima) o progresso da pessoa permanece num nível muito superficial. E o risco é de repetirmos e implementarmos um padrão típico da cultura dominante que se preocupa só com os próprios interesses, o ter mais, o ganhar mais e não se preocupa com uma cultura da solidariedade.
Entendemos que o ser humano é um ser “bio-psico-socio-espiritual” e que para um crescimento real precisamos trabalhar todas estas dimensões não só oferecendo novas oportunidades de emprego e renda, mas também ajudando a pessoa a se conhecer melhor, se aceitar, aprender a se valorizar e portando entender que fazemos parte de uma grande família onde todos podem viver em paz e com qualidade de vida.
Assim, pode se gerar uma economia feliz, que não coloca o lucro e o interesse pessoal em primeiro lugar, mas que cria condições de vida melhor para todos. Este é o sonho de Jesus, “Eu vim para que todos tenham vida, e vida em abundância”. Uma economia da felicidade para todos!
