Quem observa dona Balbina enquanto orienta mulheres na oficina de ponto cruz, na Casa de Aprendizagem Ezequiel Ramin, percebe logo a serenidade e a simpatia como uma de suas características. Um sorriso ilumina sempre o seu ser, como um presente para quem a conhece. Maria Balbina do Carmo, do alto dos seus 77 anos, é dessas mulheres fortes nascidas no sertão cearense. Ela, em Quixeramobim, no distrito de Santa Helena.
E mesmo após 38 anos em Fortaleza, conserva na alma o gosto pela vida em comunidade. É personagem histórica nas Comunidades Eclesiais de Base do Bom Jardim, onde acompanha o trabalho dos missionários combonianos desde que eles chegaram à região. Com autoridade de quem conhece bem o lugar, hoje mora no bairro São Vicente numa casa de quintal acolhedor e sempre aberta aos visitantes, é testemunha das muitas transformações ocorridas no Grande Bom Jardim. “Fruto do trabalho da comunidade”, faz questão de frisar.
Mãe de 8 filhos, muitos são os netos também, dona Balbina sempre colaborou voluntariamente com o Movimento de Saúde Mental Comunitária do Bom Jardim. “Entrei aqui para aprender pintura e vagonite (um tipo de bordado em tecido), hoje sou facilitadora de vagonite, ponto cruz e já ensinei tapeçaria também. Sempre gostei de trabalhar com arte. O Ceará é a terra da arte, mas não valoriza”.
Foi também no quintal da sua casa que foi plantada a primeira horta comunitária do Movimento. Por lá passaram adolescentes do Projeto Sim à Vida, Não às Drogas e pessoas que cumpriam penas alternativas, encaminhadas pelo Fórum Clóvis Beviláqua, que através do trato com a terra tinham a oportunidade de recuperar sua auto-estima, trabalhar a socialização, o cuidado consigo, com o outro e com vida.
Salve dona Balbina, que nas tardes de sexta-feira compartilha o tanto que sabe com quem chega para aprender os segredos do ponto cruz. Da vida, melhor dizendo!
