Comunidade, Espiritualidade e Resiliência
A revolução do futuro, que cada ser humano sonha no próprio coração, para agüentar o peso de tanta injustiça e falta de compaixão, precisa de espaços protegidos, oásis de reflexão e conscientização, para que se possa alimentar uma mística que leva a uma transformação integral do ser em todas as dimensões física, mental, emocional, social e espiritual.
A comunidade, expressão sistêmica do individual, do familiar e do social, contém na sua própria essência o potencial de resgate das raízes culturais, necessárias para moldar uma auto-estima saudável e propositiva.
Na troca, na partilha, na celebração da vida, no esforço de aprofundar o conhecimento da complexidade do ser humano, aprendendo a conviver com a própria luz e as próprias sombras, sem sentimentos de culpa e sem atitudes de autopunição, se insere uma nova visão do religioso, do sagrado, do inefável.
A capacidade de agüentar o calor do deserto existencial, de tentar o impossível realizando o possível, de recomeçar sempre, se apresenta como um dos dons que a convivência com os mais pobres, abandonados e excluídos, traz ao coração dos revolucionários do Amor.
A cruz se torna passagem para a ressurreição da esperança e do direito a uma vida digna e prazerosa, partilhando justamente os bens da criação, evitando grupinhos de privilegiados que se tornam corruptos para manter os próprios privilégios e acabando com uma apartheid social que causa intranqüilidade alimentando falsas místicas de auto-realização e auto-satisfação.
A Eucaristia da rua, o encontro com a dor e o sofrimento dos excluídos se revela um alimento indispensável para a construção de um mundo melhor, aonde todo mundo tenha Vida e Vida em abundância.
A gratuidade do serviço, da escuta, da solidariedade será o meio para uma evolução amorosa da humanidade.
Padre Rino Bonvini - presidente do MSMCBJ
