A vida urbana tem afastado as pessoas da relação direta com a natureza, o que em grande parte tem se dado de forma negativa para a saúde e o bem estar coletivo. O stress do dia-a-dia, a destruição do meio ambiente e o individualismo são algumas das marcas do cotidiano nas cidades. O Movimento de Saúde Mental Comunitária do Bom Jardim oferece às comunidades do Bom Jardim, do Siqueira e do Marrocos a Horta Comunitária, uma experiência que objetiva possibilitar à população o resgate de sua memória social, na perspectiva de uma educação transformadora. Assim, partindo dos saberes trazidos por essas pessoas, busca-se desenvolver habilidades no trato com a terra, possibilitando a geração de renda.
Na horta, hoje, são plantadas verduras e plantas medicinais. A coordenação dos espaços fica por conta de Josefa Gonçalves com o apoio de Irivando da Silva. A horta envolve diversos/as voluntários/as, entre os/as quais, usuários/as do Centro de Atendimento Psico-Social Comunitário do Bom Jardim (CAPS), com os/as quais são desenvolvidas atividades de terapia ocupacional, e pessoas que cumprem pena alternativa, por meio de parceria com o Setor de Penas Alternativas do Fórum Clóvis Beviláqua.
"Para mim foi uma experiência muito boa. Nunca tinha tido contato com a terra e poder fazer isso me fez muito bem. Trabalhar na horta me fez conhecer muita gente boa, que me acolheu, me deu apoio". O depoimento acima é de Aglênio D. Costa, que cumpriu pena alternativa na horta comunitária do MSMCBJ. As atividades de cultivo promovidas pelo MSMCBJ em conjunto com os voluntários colabora para que as pessoas sejam sujeitos no meio social em que vivem, compartilhando o resultado de suas atividades com aqueles que são colocados à margem da terra, do trabalho, de um salário justo, de uma casa digna e da vida.
O que se tem visto é as pessoas reaprendendo a lidar com a terra e a produzir de maneira ecológica, sem uso de agrotóxico. A produção inclui alface, rúcula, cebolinha, tomate cereja, coentro, capim santo, cidreira, manjericão, boldo, malva santa e colônia. Ervas e verduras são distribuídas entre o CAPS, a Casa de Aprendizagem Ezequiel Ramin e os/as voluntários/as, além de serem comercializados. É orgulho para nós ver que a experiência não tem parado de se expandir.
FARMÁCIA VIVA
Uma decorrência natural do trabalho na horta é a implantação de ações de Farmácia Viva. Atualmente, o MSMCBJ realiza oficinas nesta área para pessoas do CAPS e da comunidade em geral, visando contribuir para difundir conhecimentos populares e científicos importantes acerca do uso de ervas e plantas de forma terapêutica. Esta perspectiva tomou corpo a partir da participação de pessoas do Movimento em um curso de Farmácia Viva oferecido pelo Espaço Ekobê, na Universidade Estadual do Ceará.
CONTATO: Márcio Firmiano - Rua Dr. Fernando Augusto, 980, Parque Santo Amaro, Fortaleza/CE, (85)3497. 2176
