O MSMCBJ através da Casa AME (Arte, Música e Espetáculo) foi selecionado pelo Ministério da Cultura (MinC) em 2008 como Ponto de Cultura, que são elos entre a Sociedade e o Estado que possibilitam o desenvolvimento de ações culturais.
Casa AME dá continuidade ao trabalho de teatro no Movimento
Com uma história já longa, a relação entre o teatro e o MSMCBJ é um bom exemplo para ilustrar os resultados da arte-terapia. A própria gestação da Casa AME remete à criação do grupo de teatro “As Marias”, no ano de 1996. Enquanto participavam da Terapia Comunitária do Movimento, um grupo de dez mulheres resolveu formar o grupo, sob a coordenação do teatrólogo Hélio Júnior. É dessa época o espetáculo “As Marias”, que terminou dando nome ao grupo.
Maria da Silva Abreu, 56 anos, é uma das personagens reais dessa história: “todas nós passamos por momentos difíceis e por isso távamos na terapia comunitária. Formamos o grupo e foi muito bom. Na primeira peça eu fazia o papel de um homem muito agressivo, cachaceiro. Era divertido, as pessoas riam muito. Na minha vida o teatro significou muita coisa. Hoje sou muito melhor”. Maria Abreu é a única a permanecer no grupo até hoje. Além disso, na Casa de Aprendizagem Ezequiel Ramin é facilitadora da oficina de fuxico (técnica de artesanato que utiliza pequenos cortes de tecido em forma de círculo para produzir peças ornamentais e roupas) e é responsável pelos serviços gerais. Em sua família, o teatro faz história: três das suas filhas e dois netos já participaram do grupo. Hoje, a filha mais nova está na nova composição do grupo.
Seguindo a dinâmica singular do Movimento, que acolhe sempre novas pessoas, o grupo de teatro ganhou novos componentes - crianças e mulheres, e anos depois, em 1999, foi rebatizado de “Pé na caçamba”, agora sob a orientação da médica homeopata Vera Dantas. É dessa fase o espetáculo “Sim à Vida”, que abordava a realidade de criaças e adolescentes do Bom Jardim. Nesse período o grupo passou a incorporar vivências e técnicas do teatro fórum e da arte circense, além de realizar encontros e oficinas com grupos de Hip Hop, capoeira e biodança. Fato marcante na história do grupo é a sua concepção e identidade como teatro de rua. Em todas as apresentações o público participa dos espetáculos, sendo chamado a refletir sobre a realidade em foco.
O terceiro espetáculo do grupo foi “Violência um ato, um fato”, que a partir de uma situação de violência, trazia à tona a existência de um rico trabalho realizado por diversos grupos que transformam a realidade local e encontram soluções para os problemas sociais existentes na comunidade. A peça fazia uma crítica ao estigma de que no Bom Jardim só há violência. O quarto espetáculo, “Saúde pacientes, pacientes”, enfocava o problema do acesso ao serviço público de saúde com uma boa dose de humor, denúncia e crítica.
Com a fundação da Casa AME, já rico de experiências e ansioso por expandir sua produção para além dos muros do Bom Jardim, o agora Grupo de Teatro Semearte mantém e aprofunda sua inspiração no teatro do Oprimido, criado e sistematizado por Augusto Boal, tendo a realidade como pano de fundo e ponto de partida. Atualmente o grupo é composto por dez artistas, sob a coordenação de Márcio Firmiano, também coordenador da Casa.
E a soma de espetáculos já inclui novas produções, como “A outra história de Romeu e Julieta”, uma peça educativa que fala sobre as doenças sexualmente transmissíveis (DST-Aids) e a gravidez na adolescência. Sua obra mais recente, ainda em construção, é voltada para o incentivo à leitura e chama-se “A arte de ler”. A peça está sendo montada com recursos da Fundação de Cultura, Esporte e Turismo de Fortaleza (Funcet) que aprovou projeto encaminhado pela Casa AME. Como parte do processo já aconteceram oficinas de leitura e percussão. Após as diversas fases, nas quais a peça está sendo construída coletivamente, a expectativa é que a estréia do espetáculo aconteça no primeiro semestre de 2008.
CONTATO: Márcio Firmiano - Rua Dr. Fernando Augusto, 980, Parque Santo Amaro, Fortaleza/CE, (85)3497.2176
