Diante da dificuldade de se conseguir um emprego, a inexperiência profissional se apresenta como um dos fatores que dificultam ainda mais essa busca. Entretanto, no Bom Jardim, o projeto Jovens Aprendizes supera esse obstáculo. Em quatro meses já são 60 jovens inseridos no mercado de trabalho e seis em processo de seleção.
O projeto promovido pelo Movimento de Saúde Mental Comunitária do Bom Jardim (MSMCBJ) em parceria com o Instituto Unibanco, oferece cursos e acompanhamento no emprego e na escola para jovens entre 16 e 23 anos de idade, residentes em uma das regiões com menor índice de desenvolvimento humano (IDH) de Fortaleza. A partir do contato com empresas reconhecidas que atuam no município, o MSMCBJ garantiu que desde o primeiro dia de curso fossem realizadas entrevistas de emprego com os jovens.
Os atendidos pelo projeto desenvolvem conhecimentos principalmente na área de atendimentos e vendas. No entanto, os módulos envolvem ainda informática básica, teatralização para atendimento, terapia comunitária e outras técnicas e experiências que servirão para a vida pessoal e profissional em diversas áreas de atuação. Abre-se assim aos jovens um amplo leque de conhecimentos e vivências úteis para os diferentes caminhos a serem trilhados, trabalhando o fortalecimento da auto-estima.
O Jovens Aprendizes acompanha os jovens por 18 meses, observando sua assiduidade no emprego e na escola. Os beneficiados pelo projeto trabalham quatro horas diárias, têm a carteira de trabalho assinada e folgam nas segundas-feiras para assistirem as aulas oferecidas na Casa de Aprendizagem Ezequiel Ramin, no bairro em que moram. Todos cursam o ensino médio ou já concluíram a educação básica.
Entre as empresas que tem empregado os jovens do Bom Jardim inseridos no projeto temos a RB Distribuidora, Casa Pio, C. Rolim, Crasa, Couro Fino, Âncora Serviços (DAG), Ypioca, Flat Atlântico, 3ª Via Confecções, Graphix, Asa North, Colégio Santo Inácio, Casas Brachá, Esmaltec, Freitas Varejo e Expresso Guanabara.
Os envolvidos
Naiane Limeira tem 17 anos e é uma das jovens atendidas pelo Jovens Aprendizes. Estuda no segundo ano do ensino médio e, a partir do projeto, passou a trabalhar na Freitas Varejo. Quando perguntada sobre o período em que está empregada, se confunde. Faz um mês. Opa, não! Foi em abril, diz. Nem viu o tempo passar. Naiane pretende após se formar cursar administração na faculdade e acredita que a experiência de agora vai ajudá-la no futuro. Ajuda a conhecer o atendimento, a lidar com as diferentes ocasiões, afirma.
Gleidson Fernandes cursa o terceiro ano, tem 19 anos, e pela primeira vez tem um emprego com carteira assinada. Atendente da Casa Pio, acredita que o emprego tem contribuído para lhe ensinar a cuidar de suas relações e a desenvolver os conhecimentos no computador. Ambicionando se formar em direito para ser juiz ou promotor, defende uma idéia: Acho que o governo deveria ajudar também. A procura é muito grande. Projetos como esse deveriam se expandir para todos os bairros.
Ana Priscila tem 18 anos e trabalha na Couro Fino como vendedora. Destaca como pontos positivos do Jovens Aprendizes a oportunidade oferecida a uma região com problemas sociais como os do Bom Jardim, a responsabilidade que desenvolve nos jovens e o estímulo a pensar o novo, a desenvolver a criatividade. Auxilia até na escola, porque estimula as pessoas a terem visão do seu futuro, diz. Priscila pretende fazer vestibular para telecomunicações e não vê nenhuma incoerência entre o trabalho que faz agora e sua profissão futura: Pra ser tecnóloga preciso saber muita matemática e uma vendedora também tem que saber matemática. Precisa pensar rápido.
Estou grato por existirem pessoas que se preocupam com o ensino de nossos filhos nos ias atuais. Parabéns para o Instituto Unibanco por essas ações para com os jovens do nosso Brasil. Estou muito contente por ver meu filho ocupado, com seu dia preenchido e com isso, tornando-se mais responsável (Sr. Dolnaldo, pai de Francisco Daniel, participante do Jovens Aprendizes).
