15.09.11
Ao comentar, por e-mail, o artigo do professor Mourão Cavalcante, o padre
Michel Schooyans, professor emérito da Universidade de Louvain, da Bélgica, disse: “Em nome dos mais desamparados: Obrigado! Em nome de Jesus: Obrigado! Estou de todo coração com vocês e a comunidade para comemorar festivamente este evento, que tanto bem fez e continuará fazendo!”.
Postamos aqui, o artigo do médico, antropólogo e professor universitário, Antonio Mourão Cavalcante, publicado no Jornal O Povo, em 10/09/2011:
“Muito alegre. Sempre muito feliz com a vida, Padre Rino Bonvini me toca o telefone e anuncia: ‘O Movimento está fazendo 15 anos! Venha participar de nossa festa.’
Que movimento é esse? Que festa é essa?
Tem um nome bem comprido: Movimento de Saúde Mental Comunitária do Bom Jardim (MSMCBJ). Porque começou atendendo pessoas que desejavam falar de sofrimento moral, afetivo e espiritual. Ficou evidente que a miséria não tem apenas uma dimensão econômica fragilizada, mas uma vida desmantelada por dentro.
Trabalhar a autoestima. Desenvolver a solidariedade comunitária. Descobrir que juntos somos mais fortes. Que a nossa cultura é rica em predicados, valores e história. Voltar a ser gente. Reconstruir-se como pessoa e cidadão. Estes, os grandes desafios.
Qualquer habitante do Grande Bom Jardim, uma área pobre de Fortaleza, com mais de 300 mil habitantes, hoje, conhece o personagem que motiva essa máquina social: Padre Rino.
Um jovem que adora tocar guitarra bem incrementada, sobretudo quando puxa o “Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones.” Herança, com certeza, daqueles tempos em que não era proibido sonhar.
Aliás, depois de ser médico pela Universidade de Milão, ele resolveu ser padre e vir morar com os mais humildes, vivendo sua fé junto a seres humanos que “sofrem por dentro”.
O movimento expandiu-se. Criou raízes. Hoje tem uma série de filhotes: programa de prevenção às drogas, oficinas de música (qualquer instrumento musical), preparação no jovem aprendiz, horta comunitária, curso pré-vestibular, além de diversas modalidades de terapia individual e grupo.
Passados estes anos, muitos daqueles meninos que frequentaram o movimento, em seu início, tornaram-se adultos responsáveis, profissionais qualificados, mentes sadias, acreditando que podemos construir um futuro com esperança. Um resgate de mentes e almas.
Claro meu amigo, estaremos juntos. A festa é nossa! De todos que acreditam que ‘a vida devia ser bem melhor e será’.”
