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Mudança de vida através da Abordagem Sistêmica Comunitária

09.09.2011

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Zilar atende paciente na Palhoça.

A massoterapeuta Zilar Amaro sabe bem o que quer na vida: cuida da casa, trabalha fora, acompanha de perto a vida dos cinco filhos - já casados -, faz academia e estuda visando a um curso superior! Manter uma rotina diária rígida é natural para essa senhora que já completou 48 anos, mas mantém um corpo atlético e saudável, de fazer inveja a qualquer mulher de 30. E o melhor: “a cabeça está cem por cento”.

Essa é a Zilar que nós conhecemos hoje, prestando serviço na Palhoça do Movimento. Na verdade, podemos dizer que essa nova mulher tem apenas quinze anos e que sua história se confunde com a história do Movimento de Saúde Mental Comunitária do Bom Jardim. Como ela mesma diz: “Eu tenho quinze anos de história com o Movimento. Eu renasci com o Movimento. Sou outra Zilar, diferente, muito diferente, porque eu nunca na vida tinha trabalhado.”

Trabalhado fora de casa, é o que ela quis dizer: “Já tinha trabalhado, sim, na roça ou cuidando dos meus filhos em casa. Mas nunca tinha trabalhado para ter autonomia, sempre eu dependia do maridão. E o Movimento me deu toda essa autonomia.” E ela destaca com muita tranqüilidade que “o bom do Movimento é que ele ajuda a gente, a mim e outras pessoas. A minha família toda foi ajudada pelo Movimento. Os meus cinco filhos, eles todos foram ajudados pelo Movimento.”

Ela recorda que em 1996, morando na favela do Pantanal (no Grande Bom Jardim), vivia rodeada de sofrimento. Era comum a polícia chegar e obrigá-la a abrir a porta sem ver nem para quê. Recorda também do tempo em que entrou em profunda depressão por ocasião da morte de sua mãe. Naquele momento sua filha Francisca Meiriele, ainda adolescente, teve que cuidar de Zilar. “Ela estava sendo a minha mãe. Tinha mudado de papel, não era mais a filha, era a mãe”, diz a emocionada Zilar. Vendo-a assim, sua amiga Juraci resolveu chamar o padre Rino para visitá-la.

Zilar estava ali, “no fundo de uma rede”, quando o padre chegou à sua modesta casa. “Eu tinha perdido o sentido de viver. Estava no fundo do poço mesmo. Eu tinha atentado contra a minha vida tomando de uma vez só todo o remédio que o médico passava. Eu queria acabar de uma vez com aquele sofrimento. Uma vez tive que ir ao Frotinha, lá fiquei no soro.” Já com um brilho nos olhos, ela diz que “ele chegou lá e perguntou à menina se eu queria ajuda. Aí ele me deu um abraço humano, com muito amor, eu me senti acolhida. Ele pediu pra cuidar de mim. Eu aceitei. Falei também com o maridão e ele aceitou.”

A partir dali, a Zilar renascia para o mundo. Recebeu nova medicação e acompanhamento. “Comecei a fazer o tratamento individual psiquiátrico com o padre Rino, depois fui também para o grupo de autoestima que me ajudou muito. A partir daí eu comecei a querer viver. A ter mais uma luz. Comecei a querer cuidar novamente dos meus filhos: A vida valia a pena”, relata com firmeza.

Zilar fez a imersão na Terapia Sistêmica Comunitária. Aos poucos, conscientizou-se que precisava vencer o analfabetismo e tomar decisões sérias. Resolveu colaborar com o Movimento, profissionalizando-se em massoterapia. Ali, diz ela, compreendeu o sentido da Abordagem Sistêmica que olha o ser humano como um todo, que nas palavras acadêmicas do médico doutourando Rino Bonvini é resumida numa palavra que dá conta da totalidade do ser, a dimensão “biopsicossocioespiritual”.

Hoje, nas comemorações dos 15 anos do Movimento, Zilar faz um pedido e agradece: “Que o Movimento continue sendo acolhedor. Quero agradecer pela minha vida que melhorou, com sonhos realizados. Que todas as pessoas tenham o mesmo apoio que eu tive e que eu continuo tendo. Tudo de bom pro Movimento!”



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