O líder espiritual Lakota Sioux, Adam Little Elk, encerrou hoje, (02.06.2010) sua visita ao povo Pitaguary e ao Movimento de Saúde Mental Comunitária do Bom Jardim. Junto aos Pitaguary, ele prossegui um intercâmbio cultural iniciado em visita anterior, no ano de 2009.
“Estamos trocando conhecimento: eu vejo o que eles fazem aqui e eles também estão conhecendo traços dos Lakota como a sauna sagrada”, explica o líder Litlle Elk. Os Lakota vivem numa reserva próxima às montanhas Black Hills, no Estado de Dakota do Sul, nos Estados Unidos.
O ritual sagrado, desenvolvido na sauna, foi trazido na primeira visita de Adam à aldeia Pitaguary. Entre os Pitaguary, a sauna reforça o sentido de reencontro com a mãe terra e contribui para “superar medos e limites”, como descreve a índia Virna Duarte, uma adolescente da aldeia de Santo Antônio.
Já o jovem Fernando Neto, apelidado pelo Lakota de “Witco” (o louco, no sentido de muito vivaz) diz que o intercâmbio entre os dois povos indígenas “está ajudando cada dia mais os Pitaguary a resistir. A sauna, que é um ritual sagrado deles, também nos fortalece, e eles também conhecem o toré, nossa dança sagrada e outros elementos da nossa cultura.”
O encontro entre os dois povos indígenas foi promovido pelo Movimento de Saúde Mental Comunitária do Bom Jardim. Isso se deu, especialmente, porque o presidente do Movimento, padre Rino Bonvini, conviveu na aldeia Lakota Sioux, durante sua formação teológica em 1994, tornando-se amigo e irmão daquele povo.
Em maio deste ano, Rino foi reconhecido pelo nome de Oyate Oyshakia Mani – aquele que ajuda o povo a caminhar. Isso, de acordo com a cultura Lakota, designa a Rino a missão de fortalecer seus irmãos índios.
Esse intercâmbio também faz parte da Terapia Comunitária Indígena, desenvolvida junto aos Pitaguary pelo Movimento de Saúde Mental Comunitária do Bom Jardim, contribuindo para a redução da violência e possibilitando às novas gerações se fortalecerem a partir da sua identidade cultural indígena. Rino destaca que “a abordagem sistêmica comunitária aciona todas as dimensões da vida, desde o sentido biológico, psicológico, social até o espiritual. E essa vivência da sauna permite uma imersão profunda na espiritualidade indígena”.
