O seminário teve como orientação estratégica sistematizar o conhecimento já acumulado em alguns países latino-americanos sobre as relações entre violência e saúde, visando promover reflexões e propostas que possam ser encaminhadas para políticos e gestores da área da saúde e que sejam capazes de gerar planos de atuação nos diferentes países da região onde a violência constitui grave problema de saúde pública.
O seminário foi comemorativo aos 18 anos do Centro Latino Americano de Estudos sobre Violência e Saúde (Claves) da Fiocruz, entidade promotora do evento. O Claves está radicado na Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) e atua em colaboração com o Instituto Fernandes Figueira (IFF) e com o Centro de Informações Científicas e Tecnológicas (CICT) ambos da própria Fiocruz. É também Centro Colaborador do Ministério da Saúde, do Ministério da Justiça e da Biblioteca Regional da Organização Panamericana de Saúde (Bireme) nos temas relativos ao Impacto da Violência sobre a Saúde.
Na concepção do Claves, exposta em sua página eletrônica - www.metodoeventosrio.com.br/claves - por ocasião da divulgação do seminário, o tema da Violência é um problema sócio-histórico, e não, em si, uma questão de saúde pública. A instituição considera que o fenômeno da violência “afeta fortemente a saúde, porque: provoca morte, lesões e traumas físicos e um sem número de agravos mentais, emocionais e espirituais; diminui a qualidade de vida das pessoas e das coletividades; exige uma readequação da organização tradicional dos serviços de saúde; coloca novos problemas para o atendimento médico preventivo ou curativo e evidencia a necessidade de uma atuação muito mais específica, interdisciplinar, multiprofissional, intersetorial e engajada do setor, visando às necessidades dos cidadãos”.
Durante os três dias do evento (27, 28 e 29 de novembro), o MSMCBJ, outras cinco ONGs, duas fundações e um programa governamental contaram com um espaço permanente no qual puderam compartilhar e dialogar com os participantes sobre suas experiências. As nove experiências apresentadas foram foco de uma pesquisa realizada pelo Claves, a qual investigou a forma de organização, resultados e perspectivas de continuidade de cada uma. Em comum, todas as experiências trabalham com comunidades populares e de baixa renda e as pesquisas apontam que as pessoas com condição socioeconômica mais baixa correm risco maior de violência, pois os fatores relacionados à pobreza aumentam a vulnerabilidade desta população.
Durante sua participação no seminário, o padre Rino Bonvini, presidente do MSMCBJ, exibiu o novo vídeo do Movimento que apresenta os indicadores positivos do projeto Sim à Vida, Não às Drogas que envolve crianças e adolescentes antes do primeiro contato com as drogas, na perspectiva da prevenção. Na ocasião, o padre Rino iniciou discussão com o diretor geral do Departamento de Psicologia da Universidade de Québec em Montreal, professor Marc Bigras, com vistas a desenvolver uma parceria entre o MSMCBJ e a universidade com o objetivo de realizar um levantamento dos indicadores de prevenção da violência entre jovens e adolescentes acompanhados por projetos desenvolvidos pelo Movimento.
As outras experiências apresentadas foram: Agência Uga-Uga (Manaus); Centro de Cultura Negra (São Luís); Programa Sentinela (Cuaibá); Circo de Todo Mundo (Belo Horizonte); Luta pela Paz (Rio de Janeiro); Construção da Paz/Colégio Eduardo Guimarães (Rio de Janeiro); Centro de Referência às Vítimas de Violência do Instituto Sedes Sapientiae de São Paulo e Centro Social Marista de Porto Alegre.
