Início da página:

Menu de Acessibilidade:

Imagens do Cabeçalho

Conteúdo

Como reduzir o número de jovens vítimas de violência?

Rinoegafião300x199
Pe. Rino Bonvini (Psiquiatra e presidente do Movimento de Saúde Mental Comunitária do Bom Jardim).

Vários jovens morrem no País vítimas da violência doméstica e das ruas. O que o poder público e a sociedade devem fazer para reduzir esta triste estatística?

Fonte: O Povo

Desde 1996, o Movimento de Saúde Mental Comunitária do Bom Jardim desenvolve ações em prol da comunidade com a finalidade de acolher, escutar, empoderar e curar o povo excluído. Desde então ficou claro que a melhor ferramenta pedagógica chama-se prevenção. Em latim prevenire, que significa chegar antes. Antes de quê? Do primeiro contato com as drogas, da exploração sexual, do suicídio e de tudo o que não permite o desenvolvimento de uma boa qualidade de vida. Criança numa escola de qualidade, que proporciona atividades lúdicas, formativas, aprendendo a pensar e ter uma opinião própria é a melhor maneira de prevenir a violência. Gerar seres humanos solidários e com sensibilidade, capazes de reconhecer presença do Deus da vida em todas as vivências no meio do seu povo. Este é o desafio!

Pe. Rino Bonvini (Psiquiatra e presidente do Movimento de Saúde Mental Comunitária do Bom Jardim).

Parte das políticas que visam o combate à violência são direcionadas à juventude pobre dos grandes centros urbanos e têm como objetivo manter o jovem ocupado. Por trás disso está uma concepção discriminatória da juventude, especialmente a pobre, tida como potencialmente perigosa, o que seria reforçado pelo ócio. Tais políticas não contribuem para a diminuição da violência, mas para estigmatizar esse segmento. Outro equívoco recorrente é o de considerar que esse enfrentamento se resuma a políticas de segurança pública, sobretudo as de caráter repressivo. O fenômeno da violência é bastante complexo, mas as pesquisas na área são unânimes em reconhecer a desigualdade econômico-social como uma de suas principais causas. O Brasil é um país de enormes desigualdades sociais e Fortaleza está entre as cidades mais desiguais do mundo. Uma política que pretenda reduzir a violência deve ser sobretudo de redução da desigualdade.

Nadja Furtado Bortolotti (Assessora jurídica do Cedeca Ceará).

A violência representa apenas a manifestação épica e alardeada de uma série de violações silenciosas dos direitos humanos. O desafio de redução de jovens vítimas de violência é uma tarefa complexa. Primeiro, porque demanda das escolas uma educação voltada para valores e direitos. Segundo, porque exige uma sinergia das ações governamentais e não-governamentais e uma eficaz atuação em rede. A tradição da cultura institucional é o agir paralelo, em "caixinhas" fechadas. Iniciativas de reversão desse quadro devem assumir um formato matricial. Uma política pública estratégica que possa escoar para múltiplas vias: saúde, educação, profissionalização, cultura, habitação, esporte e lazer e tantas outras. Para isso é necessário vontade política e um aporte considerável de recursos públicos. Senão permanecerá tudo como está e muitos outros jovens, infelizmente, ainda tombarão.

Glória Diógenes (Professora doutora do programa de pós-graduação em Sociologia da UFC).

A questão da violência vem sendo pautada pela mídia e por alguns setores sociais sempre associada à visão negativa da juventude. Porém é necessário contextualizar a problemática social que é a violência, que hoje vem sendo apontada não só no âmbito da Segurança como também no da Saúde Pública. É necessário, entre outras respostas, políticas de inclusão social e de desenvolvimento sustentável e social. A inclusão social, passa pelo empoderamento dos próprios jovens das políticas públicas, daí a importância de programas como ProJovem Urbano, CredJovem, PopFor e dos Cucas. Fortaleza foi pioneira em constituir um Conselho de Juventude representado na sua maioria pela sociedade civil. Nesse sentido, estamos buscando dar aos jovens a oportunidade de mais políticas públicas, experiências que estamos encarando positivamente aqui em nosso Município à frente da gestão da prefeita Luizianne Lins.

Ronny Câmara (Assessor da Coordenadoria de Juventude da Prefeitura Municipal de Fortaleza).

É preciso que alguém se responsabilize por essas vidas perdidas. Mais fácil é culpar o crack e os jovens pelo envolvimento em atividades criminosas. Penso que a nossa responsabilidade social se esconde por trás dessa justificativa. Onde estão as outras opções para os adolescentes e jovens nas grandes periferias? Em quais escolas estão matriculados? Qual Polícia se apresenta a eles? Qual família os orienta? Quando morrem, onde estão os culpados? Quem, de fato, pensa neles e faz essas perguntas? No máximo, em alguma ação isolada, ousamos "pensar por eles". Na prática, as vítimas estão entregues aos próprios conflitos e à sedução dos grupos criminosos desde muito cedo. Talvez tenhamos limitado o nosso senso de justiça e ele não alcance esses jovens, assassinados todos os dias.

Larissa Lima (Repórter do Núcleo de Cotidiano do O POVO).

Saber que tipo de atendimento e convivência familiar teve (tem) a juventude. Que responsabilidades a família vitimizada e vitimizadora pode assumir, qual o papel do Estado e da sociedade, no cumprimento do Estatuto da Criança e Adolescente. Posto em prática o artigo 4°, da Lei 8.069, reduzir-se-á o número de jovens vítimas da violência. Fortalecer a escola é uma estratégia. no Grande Bom Jardim, o Centro de Defesa da Vida Herbert de Souza (CDVHS) aposta no envolvimento da escola e dos jovens na luta pelo desenvolvimento sustentável de seus bairros, no empoderamento do segmento em direitos humanos e cultura de paz para atuarem como mediadores de conflitos em cinco escolas e seus entornos. A redução da violência acontecerá com efetivação de direitos conquistados, reconhecidos, exigidos pelos sujeitos em constante processo de emancipação e proatividade.

Marileide Luz (Pedagoga e coord. executiva do Centro de Defesa da Vida Herbert de Souza).

ícone enviar por email  -  ícone imprimir

Indique essa notícia para um amigo:

Para enviar o texto, preencha os campos abaixo e clique em enviar:

Notícias

Informações de Endereço e Contato

Endereço Sede MSMCBJ - Rua Dr. Fernando Augusto, 609 - Parque Santo Amaro - Fortaleza - CE
Fone: +55 (85) 3497.0892 - Fax +55 (85) 3245.8155 -
comunicacao@msmcbj.org.br

Desenvolvido por:

Oktiva - A melhor escolha para seu site!

Fim da página