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Assembléia Legislativa homenageia Movimento de Saúde Mental Comunitária

A Assembleia Legislativa realiza sessão solene para homenagear o Movimento de Saúde Mental Comunitária do Bom Jardim em seus 15 anos de criação. O Movimento, idealizado pelo Padre Rino Bonvini, atua na periferia de Fortaleza e nas aldeias indígenas Pitaguary, em Maracanaú e Pacatuba. A sessão, solicitada pela deputada Rachel Marques (PT), acontece nesta quinta-feira, 1/12, às 15, no Plenário da Assembleia Legislativa do Ceará.

Durante a sessão, o Movimento vai exibir um vídeo de 5 min de duração que trata da Abordagem Sistêmica Comunitária, o método de atendimento do MSMCBJ para cuidar da pessoa de forma integral, reunindo a multiplicidade bio-psico-sócio-espiritual de cada ser. Essa abordagem foi reconhecida como tecnologia social replicável pela Fundação Banco do Brasil, em 2009.

Atualmente, através de 17 ações distintas, distribuídas em 8 espaços, o Movimento atende mais de duas mil pessoas por mês, contribuindo para a mudança de vida de muitas famílias através do resgate da autoestima de pessoas deprimidas, da recuperação de pacientes com transtornos mentais; bem como prevenindo contra vícios e males que atingem a vida urbana, além de proporcionar o acesso à universidade e ao mercado de trabalho para centenas de pessoas.

De acordo com a deputada Rachel, que é psicóloga e mestre em Saúde Pública, o Movimento de Saúde Mental Comunitária do Bom Jardim “ao acolher o ser humano em sua integralidade, respeitando corpo, mente, relações com a família e a comunidade, considerando a dimensão espiritual, possibilita o seu pleno desenvolvimento”.

Rachel, que iniciou suas atividades políticas junto às Comunidades Eclesiais de Base da periferia de Fortaleza, destaca ainda que as ações do Movimento de Saúde Mental “resgatam valores humanos e culturais, favorecendo a qualidade de vida das pessoas e ativando a sua cidadania, seja através da qualificação profissional, do ingresso à Universidade, das ações culturais, do resgate da identidade ou do acolhimento terapêutico, utilizando a Abordagem Sistêmica desenvolvida pelo padre Rino”.


Serviço:

Sessão Solene: 15 Anos do Movimento de Saúde Mental Comunitária do Bom Jardim

Data/ hora: 1º de Dezembro (quinta-feira), às 15h

Local: Assembleia Legislativa do Estado do Ceará - Av. Desembargador Moreira, 2807 - Bairro: Dionísio Torres  Fortaleza – Ceará

Contatos: Elizeu de Sousa 9989.9012 – 8620.1580


MOVIMENTO DE SAÚDE MENTAL COMUNITÁRIA DO BOM JARDIM:

15 ANOS REENCANTANDO AS PESSOAS COM O PRAZER DE VIVER!


Na década de 1990, nos bairros e comunidades que constituem o Grande Bom Jardim se articulavam as Comunidades Eclesiais de Base. Eram as CEBs animando o dia a dia de milhares de pessoas, unindo fé e vida. Ali, a presença dos missionários Combonianos - através do Padre Marcos, do Padre Renato e do Rino - em direta sintonia com Dom Aloísio Lorscheider, então arcebispo de Fortaleza, estimulava as pessoas a olhar a realidade e a ler a bíblia, aplicando os seus ensinamentos através do método: ver, julgar e agir. Dessa forma, se compreendia a realidade, se julgava os problemas à luz do Evangelho e se partia para ações de conquista de direitos e fortalecimento da cidadania.

Foi nesse clima de ação coletiva que, em 1996 surgiu o Movimento de Saúde Comunitária do Bom Jardim. Inicialmente, era um serviço de escuta e acompanhamento terapêutico para famílias em situação de risco que viviam na extrema pobreza. Marcadas pela exclusão socioeconômica, essas pessoas conviviam com a falta de recursos básicos, predominando o baixo desenvolvimento escolar, o desemprego, a falta de perspectivas e baixa autoestima. De forma geral, as pessoas não se sentiam motivadas para a solução de seus problemas. Essa foi a base sobre a qual um grupo de lideranças de CEBs, mobilizado pelo padre e médico Rino Bonvini, então presidente do Centro de Defesa da Vida Herbet de Souza, iniciou os primeiros serviços terapêuticos que iriam originar a Abordagem Sistêmica Comunitária – um método de atenção integral à pessoa.

O primeiro passo foi preparar animadores locais para atender às pessoas que, estressadas ou desesperadas, às vezes já sem ânimo para continuar tocando a vida, procuravam o Movimento. Foi assim que o padre Rino, com a colaboração do Professor Adalberto Barreto, fez uma parceria com o Curso de Medicina da Universidade Federal do Ceará, iniciando a formação do primeiro grupo de terapeutas comunitários. Também, com a colaboração do médico psiquiatra Antônio Mourão Cavalcante, do Centro de Estudos da Família, foi instituído o Projeto Sim à Vida voltado para prevenir as pessoas, evitando o contato com a drogadicção. A partir de então, foi desenvolvido com adultos, adolescentes e crianças, um trabalho terapêutico com a perspectiva de proporcionar respostas positivas através do estímulo à múltipla dimensão bio-psico-sócio-espiritual de cada ser.

Iniciava-se a Abordagem Sistêmica Comunitária com o objetivo de favorecer o desenvolvimento pessoal, o aumento da consciência de si, o reconhecimento das potencialidades e da dignidade de cada pessoa, tornando-a capaz de enfrentar as problemáticas advindas da situação de exclusão em que vivem. Assim, até hoje, se processam mudanças positivas e transformadoras, levando cada um e cada uma a recompor seu ser, se harmonizar com a família e fortalecer os laços com a comunidade, convertendo-se em agente de transformação da realidade de miséria que os cerca.

Passados quinze anos, o Movimento de Saúde Mental Comunitária agregou ao atendimento terapêutico diversas atividades visando fortalecer o aspecto bio-psico-sócio-espiritual nas pessoas atendidas. Dessa forma, foram implementados grupos de Terapia Comunitária; grupos de autoajuda para o resgate da autoestima; serviço de Massoterapia; atendimentos psicológicos individuais; acompanhamento de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, através o projeto Sim à Vida; resgate e fortalecimento da cultura indígena em parceria com as aldeias Pitaguary, em Maracanaú e Pacatuba, com a implementação do projeto Iandé Memé Maranongara; cursos profissionalizantes na Casa de Aprendizagem Ezequiel Ramin; oficinas de cine-música-arte-terapia no Ponto de Cultura Casa AME (Arte, Música e Espetáculo) Dom Franco Masserdotti; Ponto de Leitura através de um Biblioteca Comunitária; trabalho terapêutico e educativo com as artes cênicas do grupo Semearte; curso pré-vestibular através do Centro de Aprendizagem do Bom Jardim; resgate da relação do ser humano com a natureza através da Horta Comunitária e da construção de fornos solares e instituição do Cine CAPs, uma sala de cinema voltada para pacientes do Centro de Atenção Psicossocial e de frequentadores do Ponto de Cultura.

Ainda, em uma experiência inovadora de co-gestão de política pública, o Movimento de Saúde Mental Comunitária do Bom Jardim, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, administra o Centro de Atenção Psicossocial Comunitário do Bom Jardim. Ali, é um lugar de referência terapêutica para pessoas portadoras de sofrimentos psíquicos graves e assistência aos seus familiares. Criado como alternativa às internações em hospitais psiquiátricos, o CAPS Comunitário tem como objetivo promover cuidados e reinserção social, oferecendo aos seus usuários um leque de atividades personalizadas, comunitárias e de promoção da vida. No CAPS também foi implementada uma Residência Médica.

Em meio a essa multiplicidade de ações, o que é mais significativo para o Movimento é estimular e acompanhar o reencantamento pela vida em centenas de pessoas que se encontravam desmotivadas e confusas diante da difícil realidade social experimentada dia após dia. Assim, elas vão superando a problemática de dor, medo, fobias e isolamento e encontrando novas motivações para viver e ser feliz.

Sem receio, podemos afirmar que, se o grande Bom Jardim está passando por transformações e melhoras nesses últimos quinze anos é porque as pessoas também estão mudando... Mudando para melhor com as ações do Movimento de Saúde Mental Comunitária e de outras organizações sociais que trabalham cotidianamente com aquelas comunidades. Milhares de pessoas saíram de um estado de inércia e hoje são sujeitos da própria vida! Eis a conquista maior do Movimento: O fortalecimento do ser humano, em sua integralidade, graças a um processo cíclico e contínuo de construção coletiva pautada no amor, no respeito mútuo e na alegria de viver!

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