Para Josemberg de Lima, passar no vestibular foi uma grande vitória. Aos 17 anos, apaixonado por música, ele diz que foi contra a opinião de muitas pessoas da sua família e do bairro onde mora, o Pantanal, que não acreditavam na possibilidade dele ser aprovado. "Só passa quem é rico e quem pode pagar escolas caras", diziam para ele.
Josemberg, Marcos e outras tantas pessoas que estudaram no CABJ e foram aprovados em diversos vestibulares e concursos públicos da cidade, provam que apesar da existência de barreiras para as pessoas de baixa renda é possível rompê-las quando se reinventa a forma de lidar com uma realidade difícil.
Ainda criança Josemberg participou de outro projeto do MSMCBJ, o "Sim à Vida, Não às Drogas", que beneficia crianças e adolescentes em situação de risco com o objetivo de evitar o seu primeiro contato com as drogas e a realidade das ruas. Ele lembra que tinha entre 7 e 9 anos quando participou do projeto e que o fato de ter tido este acompanhamento foi importante para protegê-lo dos muitos risco a que está sujeita uma criança moradora de áreas como o Pantanal, onde a pobreza expõe as pessoas do lugar a um clima de violência urbana marcante. As brincadeiras, a interação com outras crianças, a participação em oficinas representaram um diferencial em sua infância. Em outra ocasião, já adolescente, cursou Informática na Casa de Aprendizagem Ezequiel Ramin.
Hoje, ele é o único da família a entrar para uma universidade pública e num futuro próximo pretende ser professor de música, canto ou violão. Se depender do seu empenho, o futuro está garantido. Atualmente, ele já estuda Violão na Casa AME Dom Franco Masserdotti e no ABC do Bom Jardim, Canto no Centro Cultural do Bom Jardim e Teoria Musical no Caic do Bom Jardim. Além disso, ele ainda integra o coral da banda Lemuria, que reúne jovens amantes da música, na Granja Lisboa, para um trabalho social em favor da arte e da vida. "A minha vida sempre foi assim, de correr atrás", dá a receita.
E no CABJ, Josemberg também integrou a coordenação composta por alunos e professores, já que o cursinho é comunitário e se organiza em sistema de auto-gestão. Dessa experiência ele levará grandes lições, muitas amizades e o desejo de um dia retornar e contribuir com a formação de outras pessoas que como ele tenham o sonho de fazer universidade.
